Acordo. Abro os olhos. Nada vejo. Tou no fundo, mesmo no fundo, sem luz, sem chama, sem esperança. E agora?
terça-feira, 22 de novembro de 2005
...e agora?
...o céu arde trespassado por flechas de fogo. Uma lança incandescente perfura as nuvens e uma espada de cristal rasga os raios de luz que o Sol decidiu acender sobre a Terra. As chamas das trevas consomem a alma de um pôr-do-Sol. Repentinamente, gotas de sangue caem corroendo a areia penetrando-a e contaminando tudo á sua volta. Um mar de fogo destrói a matéria dos sonhos e o assombro de um pesadelo toma conta do pouco que ainda se atreveu a resistir. Na ilusão de uma realidade perco-me na luz das estrelas para me fazer renascer e tentar salvar o k resta de minha alma.
Acordo. Abro os olhos. Nada vejo. Tou no fundo, mesmo no fundo, sem luz, sem chama, sem esperança. E agora?
Acordo. Abro os olhos. Nada vejo. Tou no fundo, mesmo no fundo, sem luz, sem chama, sem esperança. E agora?
terça-feira, 11 de outubro de 2005
...porquê
...pensei em apagar, neste momento já não fazem tanto sentido estas pérfidas palavras velhas e desgastadas. No entanto deixei-as ficar. Já é habito não saber a razão destas acções, acho que jamais as compreenderei, já não as tento desvendar. Há coisas que com mistério têm mais cor, e que belo arco-iris surge quando penso que estas letras são apenas uma sobra do passado. Mas o tempo faz milagres e varre a obscuridade, depois, é só saber e querer olhar. Tive esse atrevimento e talvez percebi. Por muito que possa doer, por muito que não as queira reler, aquelas palavras, apesar de só palavras, são parte de mim, parte do meu passado. O nosso passado faz parte de nós, não podemos fugir, não podemos esconder, por isso resisti e não apaguei. Acho que mal não fiz. Com o tempo, muito tempo, talvez consiga ter coragem de as voltar a ler. Agora sinto-me diferente, mais forte, menos longe da realidade. Não sei se é bom, todos temos aversão á mudança mas o pior é que não sei se esta é para melhor. Surgem mais certezas, mais ideias, menos angustias. Questiono-me se será tudo um sonho, mas os sonhos podem-se tornar realidade. É cedo para descobrir, não posso ter medo, estragaria tudo, mas tambem não posso correr para para o futuro, seria falhar. Não cometerei esse erro. Sinto que tenho de me perdoar a mim proprio embora sem saber a razão, não sei se conseguirei, mas agora o tempo é meu aliado. Tento não vaguear nas ondas do passado mas, apesar disso, sei que não eloqueci e sei que aprendi que a vida pode ser mesmo um conto de fadas...
domingo, 25 de setembro de 2005
...problema de expressão
..."Só pra dizer que te Amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.
Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.
O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.
Só pra dizer que te Amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.
E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.
O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.
E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Pra ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto."...
Clã
Carlos Tê
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.
Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.
O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.
Só pra dizer que te Amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.
E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.
O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.
E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Pra ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto."...
Clã
Carlos Tê
segunda-feira, 8 de agosto de 2005
...Cristal
...e de repente uma Luz apareçeu e ofuscou o meu olhar. Tive e tenho medo. Medo de tocar aquela Luz de todas as cores, uma Luz que só num vislumbrar pode salvar. Medo de destruir, medo de estragar a divina pureza que ela me trás. Um querer e não querer. Seduz-me e amedronta-me. Àgua cristalina que se tem medo de contaminar, como uma borboleta de que tão bela apetece tocar. Mas não, não posso, poderia estragar, jamais me perdoaria. Custa-me não o poder fazer mas sou pérfido e a apagaria. Medo de olhar e de não conseguir resistir mas é cada vez mais difícil resistir aos sonhos que em mim ela faz surgir, de resistir á imaginação de como poderá ser o brilho dessa ofuscante Luz. Sei que não a mereço, ela tambem não é minha, apesar de eu nela ter reparado. Não faz mal. Já foi muito bom tê-la quase visto, mesmo só por um segundo mal vivido. Sorriu porque é tão bela, tão bela que a própria palavra bela deixa de existir. E choro por não poder sentir ou a sequer sabê-la ver. O meu olhar pode matar e, de repente, torno-me num demónio infernal. Tenho medo de mim, de não resistir a tocar, mas sei que não o farei e que apesar disso nunca me conformarei. E essa é a Luz que por vezes sinto pairar sobre a minha alma...
segunda-feira, 11 de julho de 2005
...sem
...sem nada, sem conseguir, vazio, só, renegando os meus sentimentos tento evitar os meus pensamentos com a esperança que possa diminuir a minha dor. Tento fugir, iludir-me, esconder-me de algo que sei não posso fugir. Sei que um dia o meu desespero me eloquecerá mas não quero, recuso-me a pensar nisso. E queimo e rasgo e deito fora. Tudo, destroo-me, deixo de ser o que não sei que sou. Não faz mal enquanto não sentir. Pelo menos as ilusões não me levam á locura. Talvez seja louco por não querer ver a realidade mas receio que se a vir me perca completemante e para sempre se parar um momento para a olhar. Não tenho medo de desaparecer, talvez até fosse melhor assim, mas há algo não me deixa tentar. Não sei porquê estou agora a escrever, não quero mas não consigo deixar de o fazer. Nunca compreendi esta necessidade absurda. Sinto-me ainda mais estupido. Estupido por akreditar que nunca mais o iria fazer. Uma falsa utopia que alimenta a minha alma. A dor é sempre maior se virmos a luz que não conseguimos alcançar. E de repente, quando já pensava que conseguia fugir de mim, quando tudo a minha volta me dava um sorriso, tudo se desvaneceu. Tudo. E de repente, de novo aqui estou eu, só, completamente só com as minhas palavras e sem saber o que com elas fazer. Sem objectivo, sem saber o porquê, sem esperança, já sem acreditar numa luz k me possa salvar. Sinto as trevas a apoderarem-se de mim, e eu, a ver, sem nada poder fazer. não me atrevo a perguntar-me porquê ou a tentar advinhar o futuro. Mas de repende, neste devaneio, encontro um sentido para estas letras, elas são o testemunho do meu passado. Recuso-me a voltar a lê-las, é demasiado obscuro, n é libertador. mas aprendo assim a a aceitar a minha dor em vez de lhe tentar fugir. Não sei se é melhor ou pior. é pelo menos uma convicção, das poucas k me restam e por momentos sinto k sei o k tudo o k faço poderá de algum modo n ser em vão...
sexta-feira, 3 de junho de 2005
...silêncio
...e uma fada apareceu e tocou-me. Bem fundo ela me tocou... Jamais se desvaneceram as suas marcas... e que marcas... um sonho que se tornara realidade, um novo sol... já conseguia olhar directamente para a luz. De repente, todas as minhas angustias pareciam ter desaparecido completamente. Passou muito tempo desde a ultima vez que sorri. Já nem me lembrava quando nem como. Mas este novo sorriso era diferente, completamente diferente de todos os pérfidos sorrisos do dia a dia. Este era um sorriso que iluminava o mundo. Consegui de novo sentir felicidade... Olhar nos olhos dela era como... como tocar num bocadinho de céu. Simplesmente... perfeito. Demasiado perfeito para ser realidade. E em pouco tempo ela se desvaneceu. Sem nada, nem porquês. Horrivelmente indiferente... Apenas um silêncio ensurdecedor que em breves instantes sugou o que restava da minha nova alma renascida. Ainda não consigo acreditar no que aconteceu, só quero pensar que é tudo um pesadelo. Que amanhã vou acordar e que vou conseguir voltar a sorrir. Mas nunca mais acordo... Começo a desesperar, mais ainda tenho esperança. Ainda não senti as minhas lágrimas no rosto, quando cairem formaram um oceano negro de fogo. A minha mente ainda não se apercebeu totalmente do que aconteceu, talvez por isso consiga ainda, embora pessimante, escrever. E tão de repente como quis viver, só desejo desaparecer. Desaparecer como ela desapareceu. Nunca pensei que o silêncio podesse doer tanto, preferia que me odiasse, mas nem isso ela me permitiu. E tão de repente como ela me tocou, tudo volta ao mesmo...
segunda-feira, 30 de maio de 2005
...fuga
...não consigo fugir á minha dor. Está-se a tornar insuportável. Tenho medo de chorar e não chorar. As minhas lágrimas têm outro sabor, são ácidas e cada uma delas está carregada de um nada que pesa como tudo; não me lavam, tornam-me mais sujo. Ás vezes gostava de nunca mais acordar, de ficar a viver num sonho em que o impossivel é palavra que não existe. Mas é cada vez mais difícil dormir ou descançar, os pesadelos percorrem-me cada vez mais e os sonhos são uma utopia. Ainda assim, sei que os tenho e não os esqueço, agarro-me a eles com todas as forças para que não se percam como eu. Mas tenho medo dos meus sonhos, de não os conseguir realizar. Não admitirei essa hipótese, são meus, os meus sonhos, fazem parte de mim. É quase tudo o que tenho. Pode ser pouco, mas é meu. Meu e de mais ninguém. Não sou egoísta, apenas ninguém os consegue ou não quer compreender. Nunca pensei que um sonho pudesse ser tão amaldiçoado. Anseio por uma varinha de condão que me toque e leve de vez a minha dor. Riu-me desses anseios, rir para não chorar. Mas já não sei rir como alguem me disse á uns cinco anos atrás. Há palavras que ficam no ouvido e essas nunca mais as esqueci. Resumem muito e foram ditas com sentido. Algo raro nos dias de hoje. Odeio pensar no passado, mas ele faz parte de mim e não o posso negar. Prefiro sempre o por ao nascer do sol, talvez porque só á noite me consigo enfrentar ou então porque sem luz já não faço tanto contraste. Hoje vou ver o nascer do sol e tentar não desesperar, não por teimosia ou irreverência mas por curiosidade, fruto que as insónias me permitem provar. Amo a noite, a Lua e as estrelas, guardam bem os meus segredos e paixões. O Sol queima-me e não me cura ou purifica, não tenho medo dessa luz, mas a luz da Lua sempre me deu muito mais serenindade. Espero não me ofuscar, não desisto e vou sempre voltar a tentar como me prometi não voltar a tentar deixar de escrever...
domingo, 29 de maio de 2005
...sonho
...odeio, odeio-me, odeio-me por amar. Estou tão confuso que nem me consigo aperceber totalmente do estado em que me encontro. Podia ser tudo tão fácil... Não teria decerto a mesma piada, mas porque tem de ser tudo tão difácil e complicado? Procuro saber se sou eu que complico mas sei que não, infelizmente ou não. Se sou assim é porque a vida assim me fez. E que voltas a vida pode dar... As angustias percorrei-me a alma e sufocam o meu coração. Tenho medo, medo de amar, de não conseguir voltar a sentir se mais alguma vez voltar a sofrer. Tenho medo de me tornar insensivel, concrecto e sem cor. De qualquer forma já há muito que o meu sorriso pérfido anuncia o vazio cheio de nada. Menos mal, porque já ninguém vê através da minha alma. O meu olhar esconde bem as angustias da minha alma. Estou perdido e não me consigo encontrar, por muito que procure, nunca consigo encontrar uma saida, não admito que talvez não a possa haver. Não desisto e continuo a lutar, talvez fosse melhor parar mas se o fizesse trairia-me e deixaria de existir. Mas cada vez se torna mais dificil, cada minuto, cada segundo, parece ser dominado por uma dor da qual não me consigo libertar. Sei do que preciso, uma princesa encantada, com um beijo apenas me curava. Mas a vida não é um conto de fadas e já não há princesas, muito menos as encantadas. Sei que há algures um anjo que me pode salvar mas, mesmo com todo o meu ser a querer, não consigo encontrar. Não basta querer, é preciso fazer mais. Faço tudo e nada tenho. Luto nesta busca incessante contra tudo e todos mas quanto mais me aproximo mais me magouo. Não tenho medo de sofrer por causa disso, jamais desistirei de lutar, quando o fizer, morri. As angustias devoram-me cada vez mais, tento fugir apesar de saber que elas sempre me conseguem encontrar, mas hoje, por um instante, consegui refugiar-me nestas palavras...
sexta-feira, 27 de maio de 2005
...letras
...sei já que não vale a pena por muito que tente, por muite que me esforçe, tentar exprimir aquilo que de mais forte a minha alma sente. Tudo é um eufemismo, a escrita deixou de ser uma representação gráfica de sons ou palavras para se tornar pérfida e masoquista para quem escreve e eternamente incompreensivel para quem tenta decifrar. Não consegui, desta vez não me consegui dominar e não sei o que aconteceu ao que escrevi. Deveras forte demais para poder voltar a ler ou rescrever, ainda assim, escrevi. A coragem não existe nas palavras, refugio-me e fujo delas. Apenas me arrependo das letras que podia ter escrito e não escrevi. O porquê daqui não faz parte, as duvidas continuam sempre a viver num futuro utópico onde a loucura contagia a razão. A falsidade é uma realidade. Os sons dos pensamentos refletem-se num escuro de solidão e de repente a luz deixa de existir e os cheiros do passado voltam a denegrir o sabor do presente...
quinta-feira, 5 de maio de 2005
...ilusões
...mas tudo o que tem asas também cai. E dói. Mesmo quando vislumbramos uma luz, mesmo quando sentimos que já não podemos voltar a cair, que é impossivel voltar a vertermos lágrimas, há sempre algo que aconteçe para nos fazer lembrar que nada é impossivel. E a queda é sempre maior e eu já não tenho asas ou forças para me conseguir levantar. Á muito que os anjos se tornaram negros. Negros, pérfidos, maus, traidores mas... apesar de tudo, ainda me atraiem. É como o fogo que fascina e queima, e eu nunca resisto a pelo menos tentar pegar-lhe, mesmo sabendo que não vou conseguir e que me possoo magoar... As certezas são cada vez menos e cada vez eu mais preciso de elas...
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